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Poisé, em Qualquer Idioma

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  Poisé em Qualquer Idioma ☕😂 Era para eu aprender árabe. Começou de forma séria, respeitável e cultural. Perguntei como se dizia "saudades" em árabe. Recebi uma resposta bonita: — Ashtáqu ilayk. Li aquilo por alguns segundos. Depois mais alguns. E mais alguns. Foi quando percebi que eu ainda não tinha saído da primeira sílaba. — Poisé... ☕ A partir daí, a aula tomou um rumo inesperado. Aprendi que "obrigado" é Shukran . Aprendi que "de nada" é Afwan . Aprendi também que existe uma diferença enorme entre saber a tradução de uma palavra e conseguir pronunciá-la sem parecer que está tentando espantar um gato preso atrás do sofá. Mesmo assim, decidi seguir em frente. Então imaginei uma conversa internacional. 👳 ‍♂️ — Shukran! 🥋 — Poisé. 👳 ‍♂️ — Afwan! 🥋 — Poisé. 👳 ‍♂️ — Ashtáqu ilayk! 🥋 — Poisé... ☕ 👳 ‍♂️ — O senhor entendeu o que eu disse? 🥋 — Não. Mas respondi com convicção. E foi nesse momento ...

ALERTA EXTREMO! DEFESA CIVIL: MISANTROPI4

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  ALERTA EXTREMO! DEFESA CIVIL: MISANTROPI4 Era 1h26 da madrugada. Aquele horário em que qualquer pessoa sensata está dormindo... e qualquer notificação recebida parece o início de uma catástrofe internacional. De repente, meu celular explodiu em sons, vibrações e desespero eletrônico. Não tocou. Não apitou. Ele praticamente arrombou a porta do quarto. A tela acendeu com tanta violência que, por um segundo, achei que Deus tinha decidido mandar mensagem por WhatsApp. "ALERTA EXTREMO!" Pronto. Acabou. Meu cérebro saiu de 0 para 300 km/h em menos tempo do que um piloto de Fórmula 1 troca de pneu. Ainda sem enxergar direito, já comecei a imaginar os cenários possíveis: — Meteoro. — Tsunami. — Invasão alienígena. — Ataque de dinossauros geneticamente modificados. — Três boletos vencendo no mesmo dia. Confesso que a última hipótese foi a mais assustadora. Levantei da cama num salto tão rápido que nem acordei. Meu corpo saiu correndo e minha alma veio atrás perguntando o que estava ...

Um Dia, Inacreditável

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-Crônicas -  de um dia, Inacreditável   Hoje o dia começou com uma notícia difícil. Acabou a tapioca. Pode parecer pouco para algumas pessoas, mas para quem acorda já pensando no café e na tapioca, a situação merece ao menos uma reunião de emergência, de mim e minha mente. Não fiquei desesperado. Apenas constatei o fato. Afinal, aprendi há muito tempo que não adianta sofrer três vezes pela mesma coisa: ontem, hoje e amanhã. Olhei para a situação e pensei: — Tudo bem. Vamos de plano B. O plano B chamava-se cuscuz. Até aí, tudo sob controle. Coloquei a cuscuzeira no fogo, a água começou a esquentar e eu já me sentia um estrategista da sobrevivência doméstica. Foi então que o gás acabou. No exato momento em que tudo começava a funcionar. Fiquei olhando para o fogão em silêncio. O fogão olhava para mim. Nenhum dos dois tinha solução imediata. Mas eu tinha uma lata velha, alguns pedaços de carvão e uma ideia. Hoje eu descobri que a combinação dessas três coisas pode ser perigosa. L...

Tec... Tec... Tec... Agora Vai

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  Tec... Tec... Tec... Agora Vai Os jovens de hoje jamais entenderão certas emoções. Eles vivem numa época em que o computador liga em silêncio. O SSD não faz barulho. O celular grava vídeos em 4K. Tudo é rápido. Tudo é automático. Tudo tem autosave. Coitados. Não sabem o que era viver de verdade. Na minha época, ligar o computador era quase uma cerimônia religiosa. A gente apertava o botão Power e ficava em silêncio, ouvindo atentamente os sinais do além: — Tec... tec... tec... trrrr... tec... E pensava: — Agora vai. Aquele barulho era música para os nossos ouvidos. Significava que o velho guerreiro ainda estava vivo. Mas havia dias em que o silêncio vinha cedo demais. — Tec... tec... ... Silêncio. Nessa hora, o coração do cidadão saía pela boca. — Não faz isso comigo, companheiro... Porque naquela época não existia SSD. Existia amizade. Existia confiança. Existia fé. E se, por milagre, o Windows carregasse, a felicidade era tão grande que parecia título de campeonato. Outra emoçã...

Sábado: Observando os Sobreviventes

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  Sábado: Observando os Sobreviventes Hoje é sábado. Dia de observar. De longe. Bem de longe. Com um café na mão e uma distância estratégica dos acontecimentos. Há pessoas conferindo extratos. Há pessoas fazendo contas. Há pessoas tentando entender para onde foi o dinheiro. Eu apenas observo. Como um pesquisador da vida selvagem. Sem interferir no ambiente natural. Existe algo fascinante em assistir aos acontecimentos sem fazer parte deles. É como ver um filme sabendo que você não é um dos personagens. O coração fica mais tranquilo. O café fica mais gostoso. E a tapioca parece até mais recheada. Enquanto alguns procuram respostas, eu procuro apenas um lugar confortável para sentar. A idade traz certas sabedorias. Uma delas é descobrir que nem toda situação exige participação. Algumas exigem apenas uma cadeira. Uma xícara de café. E uma distância respeitosa. A distância tem uma qualidade curiosa. Quando estamos dentro da história, enxergamos o problema. Quand...

Minha Cama, um Café com Tapioca e Nenhum Arrependimento

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Minha Cama, um Café com Tapioca e Nenhum Arrependimento Hoje é 12 de junho. Tem gente planejando grandes acontecimentos. Eu planejei algo mais ousado: Dormir um pouco mais e depois tomar um café com tapioca. A vida é feita de escolhas. Algumas pessoas escalam montanhas. Outras atravessam oceanos. Eu atravessei o corredor até a cozinha. Cada um com suas batalhas. Minha cama continua sendo uma das maiores invenções da humanidade. Você deita por cinco minutos para descansar os olhos. Quando percebe, já perdeu uma estação do ano, dois sonhos estranhos e a noção do espaço-tempo. Já o café... O café não é uma bebida. É um sistema operacional. Antes dele, eu apenas existo. Depois dele, começo a funcionar. E a tapioca merece um capítulo à parte. Poucas coisas demonstram tanta generosidade quanto uma tapioca bem recheada. Ela chega humilde ao prato. Mas desaparece com a velocidade de um truque de mágica. Você olha. Pisca. Pronto. Sumiu. O mais curioso é que, mesmo depois de comer uma tapioca en...

O Frio Chegou Primeiro que a Assombração

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      O Frio Chegou Primeiro que a Assombração Cheguei em casa depois da aula com os pequenos. Muita gente acredita que um professor de karatê passa os dias ensinando socos, chutes e defesas. Não deixa de ser verdade. Mas, com o tempo, descobri que as técnicas são apenas a parte visível do trabalho. O verdadeiro desafio quase sempre acontece antes. Antes do primeiro golpe. Antes da primeira saudação. Antes mesmo da criança acreditar que consegue. Alguns dos meus alunos vivem em mundos muito particulares. Cada um carrega um jeito único de enxergar a vida. Alguns chegam falando sem parar. Outros chegam em silêncio. Alguns correm para o tatame. Outros observam tudo de longe antes de dar o primeiro passo. Aprendi que não existe chave para abrir esses mundos. Existe apenas respeito. Para entrar neles é preciso receber permissão. E essa permissão não vem da faixa que amarra a cintura. Nem dos anos de experiência. Ela nasce da confiança. ...