4 da Manhã: A Hora em que o Mundo Respira - Crônica sobre Insônia e Madrugada
4 da Manhã — A Hora em que o Mundo Respira
19 de setembro de 2026 — 03h53
Tem uma hora do dia que não tem dono. Não é mais noite, mas também ainda não é manhã. É aquele instante suspenso, tipo um suspiro entre dois sonhos.
4 da manhã.
A essa hora, o mundo para de fingir. Os prédios lá longe, que de dia competem pra ver quem brilha mais, agora são só pontos de luz tímidos, como estrelas que caíram e esqueceram de apagar. O rio vira um espelho preto, refletindo tudo e não entregando nada.
Da varanda de casa, eu vejo a cidade dormindo de lado. As casas aqui embaixo, com suas luzes acesas por esquecimento ou por quem trabalha de madrugada — tem sempre alguém, né? Alguém fazendo café, alguém olhando pro nada, alguém pensando em alguém.
E tem eu. De chinelo, com a careca sentindo o sereno da madrugada e os olhos pesados, mas com o coração leve. Porque 4 da manhã tem isso de especial: é a única hora do dia em que ninguém te cobra nada. Não tem mensagem pra responder, não tem reunião, não tem pressa. O mundo está ocupado demais dormindo pra te incomodar.
Então eu fico aqui. Ouvindo o vento, vendo as luzes, sentindo que por alguns minutos — só alguns — tudo está exatamente onde deveria estar.
Amanhã o sol nasce, a cidade acorda, e tudo volta a girar. Mas agora, agora é meu.
Quem mais aí é do time da careca que sente o sereno da madrugada? 😂
Chagas Barros

Comentários
Postar um comentário