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Mostrando postagens de julho, 2026

CRÔNICAS DO BOLERO PERDIDO

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  Capítulo I – A Contratação Acidental da Banda de Praia Nunca fui homem de desconfiar das gravadoras. Naquele tempo, elas ainda tinham portas de madeira pesada, ventiladores de teto que giravam mais por obrigação do que por eficiência e produtores que apertavam nossa mão olhando firme nos olhos. Isso bastava para inspirar confiança. Naquela terça-feira, saí de casa levando debaixo do braço uma pasta de papel pardo. Dentro dela estava um bolero. Não era um bolero qualquer. Pelo menos para mim. Passei semanas escolhendo palavras, cortando versos e brigando com acordes que insistiam em desafinar só para me contrariar. Quando cheguei à gravadora, o produtor leu a primeira página, acendeu um cigarro, fez aquele silêncio que todo compositor teme e, por fim, sorriu de lado. — Deixe comigo. Amanhã o senhor ouvirá uma gravação de primeira. Saí dali com a leveza de quem acredita que o destino, pela primeira vez, resolvera colaborar. Foi exatamente nesse momento que ouvi uma algazarra v...

# As Torradas Maravilha

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 As Torradas Maravilha Há dois dias, eu voltava da academia em que dou aulas de artes marciais para crianças especiais. Cheguei em casa, tomei um bom banho e pensei: — Hoje vou fazer torradas! Eu tinha trazido uns pães. Cortei tudo em fatias, arrumei com todo cuidado em uma vasilha e coloquei no forno do fogão. — Agora é só esperar um pouquinho. Enquanto isso, fui preparar o restante do lanche. Até aí, tudo perfeito... Só que eu me distraí com alguma coisa. Então, na minha imaginação, o Todo-Poderoso olhou para mim, sorriu e pensou: — Hoje vou aprontar mais uma com esse cabra... Perdão, meu Senhor, por essa ousadia de tentar imaginar os seus pensamentos. Mas foi exatamente assim que a cena ficou em minha cabeça. Continuei fazendo outras coisas e esqueci completamente das torradas. Quando a fome começou a falar mais alto, senti aquele cheirinho de pão. Na mesma hora, pensei: — As torradas! Saí correndo, abri a porta do forno... E lá estavam elas, pretinhas. Pretinhas. Negras. Mais q...

O Bife do Vizinho

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    O Bife do Vizinho Já passava do meio-dia e a fome apertou. Pensei: — Hoje vou fazer um rango bem gostoso. Separei os ingredientes, lavei tudo, piquei tudo e fui para o fogão. Mexia a panela com uma confiança danada. Quanto mais eu mexia, mais aparecia uma espuma que eu nunca tinha visto na minha comida. Pensei: — Rapaz... isso deve ser sinal de que hoje eu acertei a mão. Quando ficou pronto, coloquei tudo no prato. Olhei para a comida... Rapaz... Ela estava meio sem cor. Sem graça. Daquelas comidas que nem elas mesmas acreditam no próprio potencial. Mas, naquele exato momento, senti um cheiro maravilhoso de comida boa. Daquelas que fazem a barriga sorrir antes mesmo da primeira garfada. Parei por um instante, respirei fundo e pensei: — Eita! Eu sabia que ia dar certo... mas não imaginava que ia ficar tão bom! Kakaka... Olhei de novo para o prato. Ele continuava feinho. Mas o cheiro... Ah... o cheiro era de comida de restaurante. Aí pensei: — Aparência não é tudo. O importa...