# As Torradas Maravilha




 As Torradas Maravilha

Há dois dias, eu voltava da academia em que dou aulas de artes marciais para crianças especiais. Cheguei em casa, tomei um bom banho e pensei:

— Hoje vou fazer torradas!

Eu tinha trazido uns pães. Cortei tudo em fatias, arrumei com todo cuidado em uma vasilha e coloquei no forno do fogão.

— Agora é só esperar um pouquinho.

Enquanto isso, fui preparar o restante do lanche.

Até aí, tudo perfeito...

Só que eu me distraí com alguma coisa.

Então, na minha imaginação, o Todo-Poderoso olhou para mim, sorriu e pensou:

— Hoje vou aprontar mais uma com esse cabra...

Perdão, meu Senhor, por essa ousadia de tentar imaginar os seus pensamentos. Mas foi exatamente assim que a cena ficou em minha cabeça.

Continuei fazendo outras coisas e esqueci completamente das torradas.

Quando a fome começou a falar mais alto, senti aquele cheirinho de pão.

Na mesma hora, pensei:

— As torradas!

Saí correndo, abri a porta do forno...

E lá estavam elas, pretinhas.

Pretinhas.

Negras.

Mais queimadas que conversa de fogueira.

Naquele momento, eu não sabia se chorava ou se ria.

Acabei rindo.

E ri muito.

Resultado: fiquei sem lanche. Quer dizer... Lanche até tinha. O problema é que as torradas já haviam entrado para a categoria "carvão premium".

No fim das contas, acho que Deus me criou justamente para viver essas pequenas trapalhadas do dia a dia.

E quer saber?

Eu adoro!

Porque, se a vida não render boas risadas de vez em quando, até uma simples torrada perde a graça.


Chagas Barros


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