ALERTA EXTREMO! DEFESA CIVIL: MISANTROPI4
ALERTA EXTREMO! DEFESA CIVIL: MISANTROPI4
Era 1h26 da madrugada.
Aquele horário em que qualquer pessoa sensata está dormindo... e qualquer notificação recebida parece o início de uma catástrofe internacional.
De repente, meu celular explodiu em sons, vibrações e desespero eletrônico.
Não tocou.
Não apitou.
Ele praticamente arrombou a porta do quarto.
A tela acendeu com tanta violência que, por um segundo, achei que Deus tinha decidido mandar mensagem por WhatsApp.
"ALERTA EXTREMO!"
Pronto.
Acabou.
Meu cérebro saiu de 0 para 300 km/h em menos tempo do que um piloto de Fórmula 1 troca de pneu.
Ainda sem enxergar direito, já comecei a imaginar os cenários possíveis:
— Meteoro.
— Tsunami.
— Invasão alienígena.
— Ataque de dinossauros geneticamente modificados.
— Três boletos vencendo no mesmo dia.
Confesso que a última hipótese foi a mais assustadora.
Levantei da cama num salto tão rápido que nem acordei. Meu corpo saiu correndo e minha alma veio atrás perguntando o que estava acontecendo.
O alerta dizia apenas:
MISANTROPI4
E pronto.
Só isso.
MISANTROPI4.
Que nome é esse?
Parece chefe final de videogame.
Parece vírus criado por um cientista demitido.
Parece nome de banda de metal que só toca em galpão abandonado.
Parece atualização secreta do apocalipse.
Fiquei encarando a tela tentando entender.
"Misantropi4."
Será uma tempestade?
Uma arma experimental?
Um asteroide?
Um político novo?
Enquanto isso, o coração batia tão forte que eu já estava considerando gerar energia elétrica para o bairro.
Abri janela.
Olhei para a rua.
Nada.
Nenhum meteoro.
Nenhum alienígena.
Nenhum cachorro gigante destruindo carros.
Nem sequer um gato suspeito.
A cidade continuava exatamente igual.
Foi então que descobri a verdade.
Não era o fim do mundo.
Era apenas mais uma notificação moderna explicada da mesma forma que uma bula escrita por um criptógrafo aposentado.
Fiquei alguns segundos olhando para o celular.
O celular olhou para mim.
Eu olhei para ele de novo.
Foi um momento muito íntimo de decepção mútua.
Voltei para a cama.
Mas o sono já tinha feito as malas.
A ansiedade estava sentada no meu travesseiro.
E meu cérebro decidiu aproveitar a oportunidade para lembrar de todas as coisas constrangedoras que eu fiz desde 2007.
Resultado:
Às três da manhã eu ainda estava acordado, pesquisando o significado de "Misantropi4" e considerando seriamente me mudar para uma caverna sem sinal de internet.
Moral da história:
No passado, as pessoas temiam terremotos, vulcões e furacões.
Hoje, o verdadeiro desastre natural é receber um "ALERTA EXTREMO" que parece o nome de um vilão da Marvel às 1h26 da madrugada.
Chagas Barros

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