Tec... Tec... Tec... Agora Vai
Tec... Tec... Tec... Agora Vai
Os jovens de hoje jamais entenderão certas emoções.
Eles vivem numa época em que o computador liga em silêncio. O SSD não faz barulho. O celular grava vídeos em 4K. Tudo é rápido. Tudo é automático. Tudo tem autosave.
Coitados.
Não sabem o que era viver de verdade.
Na minha época, ligar o computador era quase uma cerimônia religiosa.
A gente apertava o botão Power e ficava em silêncio, ouvindo atentamente os sinais do além:
— Tec... tec... tec... trrrr... tec...
E pensava:
— Agora vai.
Aquele barulho era música para os nossos ouvidos. Significava que o velho guerreiro ainda estava vivo.
Mas havia dias em que o silêncio vinha cedo demais.
— Tec... tec...
...
Silêncio.
Nessa hora, o coração do cidadão saía pela boca.
— Não faz isso comigo, companheiro...
Porque naquela época não existia SSD. Existia amizade. Existia confiança. Existia fé.
E se, por milagre, o Windows carregasse, a felicidade era tão grande que parecia título de campeonato.
Outra emoção inesquecível era gravar um DVD.
Quarenta minutos de gravação.
Ninguém podia mexer no computador.
Ninguém podia respirar perto do gabinete.
Era praticamente uma cirurgia cardíaca.
E quando finalmente aparecia:
"Burn process completed successfully."
Era uma experiência espiritual.
Alguns choravam.
Outros agradeciam aos céus.
E havia os mais emocionados, que pegavam uma caneta e escreviam no DVD:
"Filmes Misturados Volume 7"
Infelizmente, a vida também tinha seus momentos difíceis.
Bastava uma queda de luz.
Plim.
Escuridão.
Duas horas de trabalho desapareciam diante dos olhos.
Hoje existe autosave.
Naquele tempo, o autosave era lembrar de salvar.
E quem esquecia aprendia uma grande lição sobre humildade, desapego e sofrimento.
Pensando bem, talvez os computadores antigos já praticassem Mokusō.
Eles nunca tinham pressa.
Refletiam bastante antes de abrir um programa.
Meditavam alguns minutos antes de iniciar o Windows.
E nos ensinavam, sem querer, a arte da paciência.
Hoje, tudo é instantâneo.
Mas confesso uma coisa.
Às vezes sinto falta daquele velho HD fazendo:
— Tec... tec... tec... trrrr... tec...
Porque, logo em seguida, eu sorria e pensava:
— Agora vai.
E, curiosamente, quase sempre ia.

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